terça-feira, 22 de setembro de 2009

O pior mesmo são os educated men

Roslyn: “You don’t like educated women?”

Gay: “They’re all right. Always wanting to know what you’re thinking, that’s all.”

Roslyn: “Maybe they’re trying to get to know you better.”

Gay: “Did you ever get to know a man better by asking him questions?”

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ainda não sei se gosto de Setembro mas acho que sim, que é muito bonito

Elias, que era muito famoso, foi procurar Deus no monte Horeb, que era onde Deus estava sempre.
E depois, pareceu-lhe ouvir qualquer coisa, veio um grande vento mas Deus não estava no vento. E veio um grande fogo mas de Deus nem sinal. Penso que ainda veio uma grande trovoada mas Deus também não estava na trovoada.
Veio depois o silêncio e a brisa e, claro, está-se mesmo a ver que era aí que Deus estava.

Pois nem sempre esta história me parece boa.

Eu dou por mim, quando não estou a tentar encontrar deus mas estou só a tentar resolver problemas emocionais - relações à distância e essas coisas - dou então por mim a fazer caixas de pasteleiro, chapéus, barcos e quantos-queres com bocados de papel que deixo aqui na minha mesa (e até lá no trabalho) para quando começo a ficar ansiosa.

Segundo me explicaram, o cérebro gosta de aprender estas coisas manuais e depois pratica-las.
A mim, acalma-me mas reconheço que me alarmo quando olho para a minha mesa de trabalho cheia de origamis básicos para quem não gosta de origamis mas gosta de fazer trabalhos manuais.

Eu fico nervosa com várias coisas, tenho 28 anos e já arranjei uns lenitivos bem eficazes que me ajudam bastante mas que têm um senão - é o silêncio.
Porque quando eu fico muito nervosa, eu não falo, eu faço caixas de pasteleiro com pedaços do lixo, e faço-as em silêncio, a respirar violência, a sentir um fogo, um trovão e uma ventania daquelas dentro do meu peito e também nas pernas e nos ombros. Nesses momentos, eu visualizo-me a dar pontapés e murros como nos filmes, em geral a vítima é o meu interlocutor, mas se calhar se eu for a ver bem, a vitima sou eu, a primeira a ser agredida sou eu e estou só a defender-me, recortando rectângulos para as caixinhas saírem perfeitas.

Se eu fosse ao monte Horeb, neste dia de sol, eu dizia ao Elias: não achas que esta coisa de escutar o silêncio é uma grande parvoíce? Vamos antes ouvir música. E o Elias dizia-me: sim, mas não me agridas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Coração de manteiga exposto ao sol"

A frase não é minha, mas é isso mesmo que eu penso quando chega o serão e eu dou por mim a morrer de saudade, como uma personagem de um fado daqueles que dão no programa Alma Lusa, que passa na Antena 1.

Os meus tempos de durona duraram exactamente 23 dias (com alguns dias intercalados em que eu apenas fingia, mas fingia tão bem que até a mim me enganava) e volto agora à minha condição de carente.

Por um lado, há um certo alívio, como quando contamos a verdade a alguém.
Porque a verdade não é o contrário da mentira, a verdade tem a ver com revelação.

Claro está que eu adoraria revelar muita coisa, e cobrir outras com mantas cheias de floreados, que eu sempre adorei inventar histórias.

[Todas as flores que a minha avó cuidava estavam sempre viçosas.
Todas.
Eu estou a tentar que uma violeta africana sobreviva na minha cozinha e que uma batata doce metida em água dê aquelas folhas luxuriantes que tanto gosto.
Quando a minha avó já tinha muitas dores, a minha mãe chegava-se junto a ela e falava-lhe de flores e ela aliviava um pouco.]


Dei-me conta de que ele não estava cá em casa (e nem ia estar mais) numa terça à noite, a fazer xixi. Olhei para a janela e entendi.

Pronto, agora vou lidar com isso da melhor (e única) maneira que sei: deixar o tempo passar.

Vou decorar a letra daquela musica popular do Brasil, que se chama a saudade mata a gente, canta-la às vezes ao longo do dia, encher uma manta de flores e cobrir esta história.

E porque a manteiga não deve estar ao sol, que se estraga, vou pegar nela e coloca-la num lugar fresco e seco.

Nota: quanto ao título deste post, o melhor é ver: http://www.fotolog.com/bonjourtristesse

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Como os Smiths apareceram como um pesadelo no meu romance não-indie

Decidi que desta vez, com o catalão, eu ia fazer diferente.
Como o George naquele episódio do Seinfeld em que ele decide fazer o oposto do que costuma fazer.

Mas merda, cometi o erro de levar o leitor de mp3 para o aeroporto, para a minha primeira espera amorosa.
De maneira que vi que o avião tinha aterrado, mas pensei, ah, vou só ouvir mais esta musica, ah, só mais o this year dos mountain goats que é tão energética, ah vou ver se tenho o saturday sun do nick drake.

Bom, depois o telefone tocou e ele já estava perdido perto dos taxis e eu pensei, merda, queria mesmo viver aquele momento em que se levanta o braço, assim de uma forma nervosa, depois antes do encontro ainda há uma rampa, e uma pessoa nem sabe bem o que há-de fazer. Em vez disso, estava distraída a ouvir musica....



Mas sou maravilhosa, sou viva, fresca, sol em Lisboa, sem pensar no futuro, um minuto após o outro, tudo bem, alguns traumas, podem ser marcas como as da igreja de São Domingos, é isso mesmo, estes traumas que ele me causa com as coisas que me diz sobre mim, não são para destruir, são só para fazer de mim uma igreja de São Domingos, são sardas, sardaniscas, pronto, são coisas normais nos relacionamentos. São aquelas coisas que no fundo os homens me costumam dizer, numa altura ou noutra, o que eu acho mesmo mesmo (e sinto o meu ego maroto a sorrir), o que eu acho mesmo é que sou a mais sã deles todos, que eles sim têm traumas e é nesse instante em que se denuncia a fraqueza deles que eu ofereço o meu colo e pronto, ganhei eu.

Enfim, isto para dizer que esteve um sabádo bem lindo, não?

Mas domingo de manhã, sentados no tapete de lã, eu disse uma coisa, ele percebeu outra, a zanga foi feia, não nos entendíamos, ai meu deus que ambiente que se criou, bom, e nisto, ele levanta-se, vai tomar banho, eu suspiro e ponho os braços para trás, a minha mão toca no comando e começa a tocar o that joke isn'y funny anymore em altos berros, e eu tenho uma experiência mística, o comando não apaga aquilo, eu grito, cala-te Morrisey, cala-te por favor, não tens lugar neste romance, sai por favor.

Consegui desligar, quase tive vontade de chorar.

Depois o equívoco de linguagem foi esclarecido, até nos rimos, que domingo mais lindo, granizado e pasteis de Belem, como se eu nem sequer fosse diabética, o taxi que ia tendo um acidente grave, a dança, as fotografias enquanto ele dormia a sesta.





E o melhor disto tudo é como acabou bem.

Porque ele disse que, perante a minha realidade e a história da minha vida, ele entendia que eu não vivesse com os pés do chão, porque eu não me podia dar ao luxo de pôr os pés no chão, mas que assim, como eu vivia - numa realidade distorcida mas intensa - era a maneira melhor para mim.
- Tu deslumbras-me. E quanto a nós, Deus dirá.


E assim, com esta bela conversa de despedida que eu desta forma tão inconfidente e perversa publico aqui no blog, eu nem o contradisse para lhe explicar como os meus pés estão tão enraízados como o tronco de uma acácia, e agora sim, com beijo com língua perto das portas de embarque e sem leitor de mp3 para o regresso (preparo-o agora para amanhã...), eu tive a minha primeira despedida amorosa num aeroporto.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Taizé - o possível é sobrestimado

De modo a registar tudo e a retirar o máximo, eu tentava fazer tirar bons apontamentos no meu coração.
Mas, infelizmente, não sei estenografia, nunca aprendi.

E estou mais habituada a retirar e a comprar do que a receber.

Assim, respirei fundo, abri o coração e recebi.

As pessoas perguntam-me onde estive de férias.
- Estive em Taizé.
- O que é isso?
- É uma aldeia na França.






http://www.taize.fr/ext/sound/mp3/behute_mich_gott.mp3

sábado, 8 de agosto de 2009

Nas férias eu ando sempre com a mesma roupa, a cheirar mal e a comer peixe grelhado

E quando a águia voa, eu fico a olhar como eles, e eu fico a olhar para eles.
E é precisamente nesse momento que os apanhamos, desprevenidos, pequeninos, sem graça, reduzidos à tristeza dos territórios ordenados e dos países desenvolvidos.

E é o voo da águia que me silencia também a mim, a mim que nunca me lembrei de colocar uma águia a voar na minha vida, no início de cada dia, como um ritual que me eleva à condição de anjo, de anjo com quatro asas que espanta todo o mundo não porque as tem mas antes porque as usa.

domingo, 2 de agosto de 2009

1º de Agosto, 1º de Inverno mas o primeiro desgosto pode não ser eterno

São 14h15 e falta um quarto de hora para abrir a loja dos 300....
Vamos até ao miradouro perto das bombas de gasolina.

O mar nunca deixa de ser uma boa surpresa.

- Olha, é o Cabo da Roca. Nunca lá fui.
- E o que te impede de ires? É a ponta mais ocidental da Europa.

Ri-me.
- Vou depois de ir a Gibraltar, e Aveiro e a Lourdes...

O meu irmão riu-se comigo.
A minha tia não percebeu a piada.
E a piada é que acabo por nunca ir a lado nenhum.
Retomamos a marcha para a loja dos 300, que estava agora prestes a abrir.

- Aveiro - disse o meu irmão a coçar o queixo - até podes ir de comboio.
- Posso ir e vir. Aliás, posso pegar e ir a Madrid, que também é num instante.
- Isso é melhor esperares pelo TGV.

- Ai eu não. - a minha tia entrou na conversa - Eu se é para ir a um sítio, não gosto de ir e vir no mesmo dia. Gosto de ir, ficar lá nas calmas e vir. Eu nem a Fátima consigo ir e vir no mesmo dia.

-Pff, eu punha-me numa hora e 20 minutos no máximo em Fátima - o meu irmão gosta muito de gozar.

Eu olhei para trás, e ele disse:
- Então, vamos agora ao Cabo da Roca. Ele está mesmo ali, é só seguir em frente. Não pretendo demorar mais que 40 minutos a lá chegar.